Ansiedade // Visão interna e identificação de sintomas // O "excesso de amanhã"

By Diana Costa - janeiro 16, 2019

Hey thirties! Depois de todo este tempo ausente estou de volta com um tema delicado que merece ser abordado. Desta vez não se trata de uma doença rara mas sim de algo comum nos dias de hoje que passa despercebido mas que tem um impacto maior nas nossas vidas do que podemos imaginar. Entenderão mais adiante do que estou a falar.

Imagem retirada do Google

A sociedade moderna move-se à velocidade da luz, o quotidiano é escravo do relógio que não pára e as pessoas são bombardeadas com informação para processar, tarefas para cumprir, padrões e rotinas para seguir. No meio de toda essa "automação" exaustiva, sobra um pouco de humanidade que nem por isso é fácil de gerir, onde há um turbilhão de emoções e sentimentos com os quais tem de se saber lidar...tanto os nossos como os das pessoas com quem nos relacionamos.
Como acréscimo a este ritmo alucinante surgem as adversidades da vida que nos põem à prova, nos testam e fazem crescer e evoluir. Mas tudo isto acontece num curto espaço de tempo, sem hipótese de respirar. Para tudo temos uma cronologia, seja para as tarefas diárias, seja para a vida de um modo geral: fazer a faculdade; conseguir um trabalho; casar; comprar uma casa; ter um filho... O problema reside no facto de nem todas as pessoas se encaixarem nesse guião pré-estabelecido e por esse motivo ficam sob uma pressão psicológica ainda maior, constantemente em busca de se adaptar, contrariando as suas vontades e objetivos e acabando inevitavelmente extremamente frustradas e preocupadas. Como se tudo isso não bastasse, ainda vêm fulanos mestres do palpite a opinar sobre o quê e como se deve fazer, e esclarecendo que "É a vida! É assim mesmo...não é assim tão complicada! Só é preciso ter calma! Pelo menos têm o que comer, onde dormir...reclamam de barriga cheia!".
Assim é a opinião de muitas pessoas quando alguém diz "São tantas as coisas para dar conta, e se eu não conseguir? E se me esquecer de alguma coisa? E se não conseguir atingir um objetivo? Estou cansada mas não consigo dormir...". De facto a vida não é nem pode ser simples. As dificuldades fazem parte e ultrapassá-las também. O problema é quando o "excesso do amanhã" chega "hoje" e nos transformamos numa preocupação ambulante.
Viver nos dias de hoje, para mim, é como viver constantemente debaixo de água a suster a respiração. É um peso e uma angústia constantes. Com toda esta avalanche de "vida" começam a surgir os sentimentos de insegurança, a incapacidade, o medo de estar a fazer tudo errado...e a preocupação constante com o dia a dia tumultuoso, o seu impacto no futuro, a consideração do palpite daquele fulano que, quem sabe, tem alguma razão...e com isto lá se passou uma noite sem dormir.
No dia seguinte acorda-se  e o dia anterior repete-se. A preocupação e o medo estão lá outra vez, a insegurança...aquele estado de alerta constante, a ansiedade que nem o cansaço é capaz de amenizar dando origem às insónias, dias e até mesmo semanas sem dormir.
É aqui que começa a tal sensação de viver de baixo de água a suster a respiração. Mas isto é apenas o princípio da ansiedade!
Aquela pessoa que nós vemos cansada logo pela manhã, não está só cansada fisicamente. Está sobretudo sobrecarregada a nível psicológico. Mentalmente está a funcionar a todo o vapor. Na mente dela estão pensamentos sobre tudo o que está à volta e o que estará por vir no decorrer do dia...desde a preocupação de ter que interagir socialmente com alguém com quem não se sente à vontade até ao que terá de cozinhar para o jantar. De repente, isso que está apenas na sua cabeça transforma-se numa aflição, um peso no peito, as mãos a tremer, o coração a palpitar...vem a tontura e a náusea e culmina em lágrimas a rolar pela cara sem que nada consiga fazer para se controlar. Isto pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer momento, sem qualquer aviso ou possibilidade de controlo e, no entanto, a pessoa parecia estar calma. Este é o momento em que a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser patológica.
Isto minhas queridas, é a minha visão pessoal sobre a ansiedade, vivida na própria pele que no entanto não deixa de ser concordante com a realidade de muitas outras pessoas. É um assunto que deve ser tratado com seriedade pois afeta física e psicologicamente a pessoa e pode mesmo levar a um quadro clínico grave. É por isso importante estar atento não só a nós mesmos mas aos que nos rodeiam para que possamos ajudar a tratar e a diminuir o impacto deste que é um problema de saúde crescente nos dias de hoje. Num mundo onde as doenças mentais ainda não são reconhecidas como tal, cabe-nos essa tomada de consciência. Por esse motivo, se alguém se sentir na necessidade de falar ou desabafar sobre o assunto, eu estarei sempre disponível. Não descurem nunca de ajuda médica se necessário.
Mais do que cuidar do nosso exterior, devemos cuidar do nosso interior para estar em harmonia!
Até à próxima, thirties!

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