Seguidor meu, há alguém mais belo que eu?// Vale a pena ler // Excelente artigo
By Sandra Matias - maio 10, 2018
Thirties.
Só hoje é que estou a colocar os olhos numa revista, a revista Maxima deste mês, e vi aqui um artigo que me chamou à atenção.
Fez me lembrar um artigo que uma vez fiz para a revista Zen Energy, onde o titulo era Espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo que eu?
Este artigo que hoje vou escrever aqui, que será por duas partes não é da minha autoria a autora deste texto é Maria Wallis.
Vai ser escrito em itálico pois não é da minha autoria.
Vamos ler?
"Nem penses publicar essa fotografia! Já viste como eu estou? Ninguém me pode ver assim" Reconhece isto? É provável que sim.
O uso descontrolado das redes sociais transformou o simples upload de uma fotografia num pecado capital - O filtro errado pode ser fatal. A nossa noção da beleza já era.
Depois da invenção da selfie, nunca mais nos olhámos ao espelho da mesma maneira.
Essena O'Neil tinha quase um milhão de seguidores no instagram quando resolve editar as legendas de algumas das suas fotografias e explicar a verdadeira história por detrás de cada uma delas "Sem perceber, passei a maior parte da minha adolescência viciada nas redes sociais, na aprovação social, no status social, na minha aparência física. As redes sociais, principalmente como eu as usei, não são reais. São imagens artificiais e clipes editados, uns a seguir aos outros. É como um sistema baseado na aprovação social, nos likes, onde a autoafirmação equivale a views e o sucesso a seguidores", escreveu num momento em que confessou ter apagado mais de duas mil imagens daquela rede social e que pensava abandoná-la, o que acabou por acontecer.
Foi no final de 2015.
Na altura o público dividiu-se entre os que a aplaudiram a decisão "como corajosa" e os que rotularam de "manobra de diversão" para alimentar o ego. Nunca saberemos a verdadeira razão que levou O'Neil, então com 18 anos, a desistir da carreira como influencer que lhe dava milhares de euros por ano.
Mas a verdade é que ela foi uma das primeiras a "bater a porta" deste mundo cor-de-rosa e a quebrar as regras que sustentam o glamour e a perfeição dos seus intervenientes.
As suas vidas idílicas que partilham, diariamente, mais não são do que edição ultracuidada de uma uma história que escolheram contar (ou vender).
A prova está mas "legendas reais" que colocou nas fotografias, ainda antes de apagar a sua conta, e que ainda existe no Google Images, graças ás dezenas de capturas de ecrã de seguidores.
Relativamente a uma imagem em que está de biquini na praia, explica "Não é a vida real, tirei mais de cem fotografias em poses semelhantes tentando fazer com que o meu estômago ficasse bem. Mal tinha comido naquele dia. Tinha gritado com a minha irmã mais nova para continuar a tirar fotografias, até que estivesse minimamente satisfeita."
Quando mostra os abdominais em frente ao espelho sublinha: " A única coisa que me fez sentir bem, nesse dia, foi esta foto. É muito deprimente. Ter um corpo tonificado não é tudo o que nós, seres humanos, somos capazes." Ou sobre uma fotografia que aparece vestida com roupa de ginástica: "Uma menina de 15 anos que conta calorias e se exercita excessivamente não pode ser 'goals'. Qualquer um viciado em redes sociais, como eu fui uma vez, não está num estado consciente".
Quase três anos depois, quando tantas mulheres já se insurgiram contra os perigos das redes sociais, a posição da australiana parece arcaica. Alicia Keys, Drew Barrymore, Eva Longoria e Chrissy Teigen são alguns dos nomes sonantes que mostraram não ter medo de "se despir" de filtros.
Porém, não deixa de ser curioso que alguém tão novo e com tanto a perder (após abandonar as redes sociais. O'Neil terá passado por dificuldades financeiras) tenha percebido como o novo paradigma virtual corrompeu o conceito da beleza.
Á procura da selfie perfeita.
Na vida real, passamos passamos anos sem fim à procura do nosso Eu verdadeiro.nas redes sociais parece que só nos preocupamos em encontrar a versão de nós próprios que tenha o melhor feedback - que tenha mais likes. Num perfil do Facebook, o utilizador expressa a sua identidade através de uma construção que alterna fotografias e texto.
Dessa forma, os likes podem ter a ver com a característica que não a aparência física.
No Instagram, onde os 60 milhões de imagens são adicionadas todos os dias, as fotografias, principalmente as selfies, são o foco principal.
E 58% dos utilizadores são mulheres, ou seja, o problema de imagem já existe na vida real (e começam-se a fazer sentir na adolescência) são ampliados no mundo virtual.
"Toda a gente quer ser a rapariga mais bonita da sala. O Instagram oferece uma plataforma em que é possível competir todos os dias. A internet foi apelidada de meio democrático e talvez o Instagram tenha democratizado o concurso de misses", ironiza Alice Marwick, pesquisadora em redes sociais na Universidade de Frodham, nos Estados Unidos.
A gratificação instantânea, através de likes e de comentários é uma ilusão - mas é precisamente esse o apelo e a ruína desta rede social.
Poucos likes e a eterna sensação de competição geram insegurança e problemas de auto-estima.
O escrutínio infinito a que estamos sujeitos - por nós próprios , antes de mais - faz com que duvidemos do nosso aspecto de uma forma exacerbada, de modo hipercrítico. "Quem me dera ser assim" torna-se o pensamento viral mais perigoso de todos. Foi mais ou menos esse pensamento que me levou a uma rotina de visitas à cadeira do dentista.
Durante 34 anos e meio ignorei os meus dentes tortos e as minhas gengivas de urso panda. Em criança bati o pé à insistência da minha mãe para os corrigir (vais-te arrepender porque depois custa mais). Já em adulta comecei a reparar que o meu sorriso era... "diferente", mas numca perdi muito tempo com o assunto. Até o boom dos smartphones.
De repente, todos começaram a tirar fotografias por tudo e por nada lá estava o meu "handicap", impossível de ignorar: fotografia após fotografia.
Eu, que sempre gostei de rir, passei a ficar "de trombas" nas fotografias quando aceitava tirá-las. Só havia uma solução: render-me.
Decidi usar um apatelho invisível, estou a meio do tratamento e daqui a nada enfrento os flashes sem problemas maiores. Teria eu dado este passo não fosse a que tiramos fotografias? Não, Mea culpa.
Próximo Post continuação
Foi no final de 2015.
Na altura o público dividiu-se entre os que a aplaudiram a decisão "como corajosa" e os que rotularam de "manobra de diversão" para alimentar o ego. Nunca saberemos a verdadeira razão que levou O'Neil, então com 18 anos, a desistir da carreira como influencer que lhe dava milhares de euros por ano.
Mas a verdade é que ela foi uma das primeiras a "bater a porta" deste mundo cor-de-rosa e a quebrar as regras que sustentam o glamour e a perfeição dos seus intervenientes.
As suas vidas idílicas que partilham, diariamente, mais não são do que edição ultracuidada de uma uma história que escolheram contar (ou vender).
A prova está mas "legendas reais" que colocou nas fotografias, ainda antes de apagar a sua conta, e que ainda existe no Google Images, graças ás dezenas de capturas de ecrã de seguidores.
Relativamente a uma imagem em que está de biquini na praia, explica "Não é a vida real, tirei mais de cem fotografias em poses semelhantes tentando fazer com que o meu estômago ficasse bem. Mal tinha comido naquele dia. Tinha gritado com a minha irmã mais nova para continuar a tirar fotografias, até que estivesse minimamente satisfeita."
Quando mostra os abdominais em frente ao espelho sublinha: " A única coisa que me fez sentir bem, nesse dia, foi esta foto. É muito deprimente. Ter um corpo tonificado não é tudo o que nós, seres humanos, somos capazes." Ou sobre uma fotografia que aparece vestida com roupa de ginástica: "Uma menina de 15 anos que conta calorias e se exercita excessivamente não pode ser 'goals'. Qualquer um viciado em redes sociais, como eu fui uma vez, não está num estado consciente".
Quase três anos depois, quando tantas mulheres já se insurgiram contra os perigos das redes sociais, a posição da australiana parece arcaica. Alicia Keys, Drew Barrymore, Eva Longoria e Chrissy Teigen são alguns dos nomes sonantes que mostraram não ter medo de "se despir" de filtros.
Porém, não deixa de ser curioso que alguém tão novo e com tanto a perder (após abandonar as redes sociais. O'Neil terá passado por dificuldades financeiras) tenha percebido como o novo paradigma virtual corrompeu o conceito da beleza.
Á procura da selfie perfeita.
Na vida real, passamos passamos anos sem fim à procura do nosso Eu verdadeiro.nas redes sociais parece que só nos preocupamos em encontrar a versão de nós próprios que tenha o melhor feedback - que tenha mais likes. Num perfil do Facebook, o utilizador expressa a sua identidade através de uma construção que alterna fotografias e texto.
Dessa forma, os likes podem ter a ver com a característica que não a aparência física.
No Instagram, onde os 60 milhões de imagens são adicionadas todos os dias, as fotografias, principalmente as selfies, são o foco principal.
E 58% dos utilizadores são mulheres, ou seja, o problema de imagem já existe na vida real (e começam-se a fazer sentir na adolescência) são ampliados no mundo virtual.
"Toda a gente quer ser a rapariga mais bonita da sala. O Instagram oferece uma plataforma em que é possível competir todos os dias. A internet foi apelidada de meio democrático e talvez o Instagram tenha democratizado o concurso de misses", ironiza Alice Marwick, pesquisadora em redes sociais na Universidade de Frodham, nos Estados Unidos.
A gratificação instantânea, através de likes e de comentários é uma ilusão - mas é precisamente esse o apelo e a ruína desta rede social.
Poucos likes e a eterna sensação de competição geram insegurança e problemas de auto-estima.
O escrutínio infinito a que estamos sujeitos - por nós próprios , antes de mais - faz com que duvidemos do nosso aspecto de uma forma exacerbada, de modo hipercrítico. "Quem me dera ser assim" torna-se o pensamento viral mais perigoso de todos. Foi mais ou menos esse pensamento que me levou a uma rotina de visitas à cadeira do dentista.
Durante 34 anos e meio ignorei os meus dentes tortos e as minhas gengivas de urso panda. Em criança bati o pé à insistência da minha mãe para os corrigir (vais-te arrepender porque depois custa mais). Já em adulta comecei a reparar que o meu sorriso era... "diferente", mas numca perdi muito tempo com o assunto. Até o boom dos smartphones.
De repente, todos começaram a tirar fotografias por tudo e por nada lá estava o meu "handicap", impossível de ignorar: fotografia após fotografia.
Eu, que sempre gostei de rir, passei a ficar "de trombas" nas fotografias quando aceitava tirá-las. Só havia uma solução: render-me.
Decidi usar um apatelho invisível, estou a meio do tratamento e daqui a nada enfrento os flashes sem problemas maiores. Teria eu dado este passo não fosse a que tiramos fotografias? Não, Mea culpa.
Próximo Post continuação
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